O sistema já opera nas estradas mineiras desde junho de 2026 e vai chegar a 1.300 equipamentos até 2028, integrando Polícia Civil, Polícia Militar, PRF e outros órgãos em tempo real
Quem trafega pelas estradas de Minas Gerais já convive com uma rede de monitoramento mais densa do que em qualquer outro estado brasileiro. Desde junho de 2026, o estado passou a operar com um reforço de 437 radares inteligentes integrados ao sistema Divisa Tributária Segura (DTS), um programa que vai muito além do controle de velocidade. O objetivo é rastrear a circulação de cargas, combater a sonegação fiscal e criar uma barreira tecnológica contra o transporte irregular de mercadorias em uma malha rodoviária que representa 16% de todas as estradas estaduais, federais e municipais do país.
A operação vai além do que o nome “fiscal” sugere. Ao conectar dados em tempo real com forças de segurança, agências reguladoras e institutos de controle, o sistema transforma as rodovias mineiras em um ambiente de inteligência integrada que os operadores chamam de “fronteira digital” da carga no Brasil.
Como funciona o sistema DTS e por que ele importa
Desde junho de 2026, o controle de mercadorias feito pelo Divisa Tributária Segura (DTS), um moderno sistema de câmeras e sensores que analisam em tempo real os dados, foi fortalecido com o incremento gradual de 437 radares inteligentes até 2028, chegando a 1.300 equipamentos. Minas Gerais possui a maior malha rodoviária do país, contendo 16% da soma de rodovias estaduais, federais e municipais, por isso todos os dias milhares de veículos de logística e carga passam pelo estado para fazer entregas. Fazenda MG
Os novos equipamentos serão incorporados ao parque já existente. Os novos radares inteligentes serão incorporados pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) à atual infraestrutura de 863 equipamentos. Além do DER-MG, há atuação com as polícias Militar e Civil de Minas Gerais, a Polícia Rodoviária Federal, as agências Nacional do Petróleo e Nacional de Transportes Terrestres, o Instituto de Pesos e Medidas e o Procon. Fazenda MG
Essa integração institucional é o diferencial do sistema em relação a iniciativas de monitoramento pontuais. Quando um radar identifica uma irregularidade, os dados são compartilhados automaticamente com os órgãos competentes, sem a necessidade de processos manuais de comunicação. A agilidade no repasse das informações aumenta a chance de abordagem em tempo real e reduz as janelas que hoje permitem que cargas irregulares cheguem ao destino sem interceptação.
O impacto no bolso do mineiro e nos pequenos negócios
O argumento central da Secretaria de Fazenda para o programa vai além da arrecadação. O principal ponto positivo gerado pelo DTS é o combate à sonegação fiscal e a promoção da concorrência leal entre os contribuintes. Para o cidadão mineiro, os efeitos práticos se mostram nas melhores condições para estruturação e crescimento de pequenos negócios, bem como na melhor capacidade do Estado de prover e implementar políticas públicas com o reforço gerado na arrecadação. Fazenda MG
O raciocínio é direto: quando uma empresa sonega impostos, ela consegue vender mais barato do que as concorrentes que operam na legalidade, distorcendo a competição. Ao tornar a fiscalização mais eficiente nas estradas, o estado reduz a vantagem do sonegador e cria um ambiente mais justo para quem cumpre as obrigações tributárias. Para pequenos varejistas e distribuidores, esse ajuste pode fazer diferença real na capacidade de competir no mercado.
O DTS ganha relevância ainda maior diante da Reforma Tributária em curso, a qual exigirá dos fiscos estaduais novas capacidades de monitoramento, inteligência e rastreabilidade da circulação de mercadorias. A transição para o novo modelo tributário, com a criação do IBS e da CBS, vai alterar profundamente a forma como o ICMS funciona nos estados, e os governos que investirem em infraestrutura de controle agora estarão melhor preparados para operar nesse novo ambiente. Fazenda MG
Minas como referência nacional em fiscalização rodoviária
A escala do projeto coloca Minas Gerais em um patamar inédito no controle fiscal de estradas no Brasil. Com 1.300 equipamentos operando até 2028 e a integração de mais de dez órgãos públicos em um único sistema de dados, o estado constrói uma arquitetura de monitoramento que deverá ser observada por outros governos.
Para motoristas e transportadoras que operam dentro da lei, o DTS não representa restrição, mas sim um ambiente de maior segurança jurídica. A clareza nas regras e a transparência na fiscalização tendem a reduzir disputas sobre tributação de carga, facilitando o planejamento logístico de empresas que dependem das rodovias mineiras como corredor de distribuição para o Centro-Sul do Brasil.
Fontes: Secretaria de Fazenda de MG
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
