O dado reacende uma dúvida entre empresários de Minas: a recuperação já começou ou o setor ainda vive um momento de espera?
O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais registrou leve alta em agosto, alcançando 45,7 pontos, um avanço de 0,2 ponto em relação a julho. O número, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, parece positivo à primeira vista, mas esconde um dado mais preocupante: o indicador permanece abaixo dos 50 pontos, patamar que separa otimismo de pessimismo, pelo 21º mês consecutivo.
O que o índice revela sobre o humor do empresário mineiro
O Icei-MG funciona como um termômetro do sentimento da indústria em relação ao presente e ao futuro dos negócios. Segundo a economista da Fiemg Daniela Muniz, as expectativas para os próximos seis meses ficaram relativamente estáveis entre julho e agosto, recuando de 48 para 47,9 pontos, o que mostra que o componente de expectativas também segue abaixo da linha dos 50 pontos, já pelo sétimo mês seguido.
Para a economista, essa combinação de estabilidade em patamar baixo revela que ainda prevalece uma visão pessimista entre os industriais mineiros quanto ao desempenho da economia nos próximos meses, mesmo diante de sinais pontuais de melhora em indicadores específicos.
Juros altos seguem no centro das preocupações
O principal fator apontado pela Fiemg para explicar a falta de otimismo é a taxa básica de juros. Mesmo com o processo de flexibilização da política monetária, que já resultou em uma queda de 0,75 ponto percentual nos últimos meses, levando a Selic à casa dos 14% ao ano, os efeitos sobre o custo do crédito e sobre as decisões de investimento tendem a ocorrer de forma gradual, segundo Daniela Muniz.
A inflação também segue no radar dos empresários. O índice acumulado em julho ficou em 4,44%, patamar que representa desaceleração em relação a meses anteriores, mas que ainda está acima da meta estabelecida pelo Banco Central. Essa combinação leva a economista da Fiemg a projetar que a Selic deve permanecer em nível elevado por mais tempo, mantendo restritas as condições financeiras para empresas e consumidores.
Na comparação com agosto do ano passado, quando o índice mineiro marcava 43,9 pontos, houve avanço de 1,8 ponto em 2026. Ainda assim, o indicador atual está 6,3 pontos abaixo da média histórica da série, que é de 52 pontos, o que reforça que a confiança do setor segue distante do padrão considerado saudável para o ambiente de negócios.
No plano nacional, o Icei passou de 44,4 pontos em julho para 46,3 pontos em agosto, uma alta de 1,9 ponto. Assim como em Minas Gerais, o indicador brasileiro também permanece em terreno de falta de confiança, agora pelo 20º mês consecutivo, o que sugere que o cenário de cautela não é exclusividade do estado, mas reflete um contexto mais amplo da indústria brasileira.
O peso do cenário externo
As tensões comerciais internacionais também entraram na equação. As novas medidas tarifárias aplicadas pelos Estados Unidos já afetam parte das exportações brasileiras e têm reduzido o comércio bilateral entre os países, o que aumenta os riscos para segmentos exportadores mineiros e influencia diretamente decisões de produção e investimento das indústrias do estado.
Esse componente específico, que mede as condições atuais do negócio, cresceu 0,9 ponto entre julho e agosto, passando de 40,5 para 41,4 pontos, uma melhora discreta que, segundo a Fiemg, indica que os empresários continuam avaliando de forma desfavorável tanto o ambiente econômico geral quanto a situação particular de seus próprios negócios, ainda que essa percepção negativa tenha perdido um pouco de intensidade nas últimas semanas.
Fontes:
- Diário do Comércio: https://diariodocomercio.com.br/economia/confianca-industrial-mineiro-agosto/
