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Brasil

Tarifaço dos EUA poupa café mineiro, mas ainda pressiona outros setores de Minas

Alessio Corvani
Alessio Corvani 6 horas ago
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Levantamento da Fiemg mapeia 234 milhões de dólares em produtos afetados pela nova tarifa americana, enquanto o principal item exportado pelo estado fica de fora.

Contents
O que ficou de fora e o que passou a pagar a nova tarifaQual é o peso disso para a economia mineiraComo o cenário afeta o dia a dia de empresas e trabalhadores mineiros

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros trouxe um misto de alívio e apreensão para Minas Gerais. De um lado, o café, principal produto da pauta exportadora mineira para o mercado americano, ficou de fora da sobretaxa. De outro, uma lista de 15 produtos que juntos somaram cerca de 234 milhões de dólares em vendas aos Estados Unidos em 2025 passou a pagar a nova cobrança, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. Entender o que ficou de fora e o que passou a ser taxado ajuda a explicar por que o impacto real da medida sobre a economia mineira ainda gera tantas dúvidas.

O que ficou de fora e o que passou a pagar a nova tarifa

Entre os itens que permaneceram isentos da tarifa estão justamente alguns dos produtos mais relevantes da pauta exportadora de Minas Gerais, como o café verde, o ferro-gusa, o ferronióbio, o ouro, a carne bovina e a celulose. Em vários desses segmentos, o estado responde por praticamente toda a exportação brasileira do produto, o que torna essa exceção especialmente relevante para a economia mineira. Cargas que já haviam sido embarcadas do Brasil antes da tarifa entrar em vigor também escaparam da cobrança adicional, o que amenizou o impacto imediato sobre contratos já fechados.

Já entre os produtos que passaram a pagar a sobretaxa estão o sebo bovino, ovino e caprino, pedras preciosas e semipreciosas trabalhadas, preparações capilares e equipamentos médicos. O sebo lidera essa lista em valor exportado, com quase 34 milhões de dólares em embarques para os Estados Unidos em 2025, seguido pelos disjuntores de baixa tensão, que movimentaram cerca de 33 milhões de dólares no mesmo período. São segmentos menores em volume financeiro se comparados ao café ou ao minério, mas em muitos deles Minas Gerais concentra quase toda a produção exportada pelo Brasil, o que aumenta a dependência do estado em relação ao mercado americano nesses nichos específicos.

Qual é o peso disso para a economia mineira

Colocando os números lado a lado, fica mais fácil dimensionar o real impacto da medida. Os 234 milhões de dólares atingidos pela nova tarifa representam apenas uma fração pequena do total exportado por Minas Gerais aos Estados Unidos em 2025, que somou 4,3 bilhões de dólares segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. Os produtos que ficaram isentos, por sua vez, somaram cerca de 3,3 bilhões de dólares em exportações no mesmo ano, um volume muito superior ao dos itens taxados. Ainda assim, a Fiemg avalia que o cenário segue incerto, já que há uma investigação em curso que pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros ligada a suspeitas de uso de trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.

O caso do café ilustra bem como mesmo produtos isentos da tarifa podem sentir os efeitos da instabilidade comercial. Minas Gerais responde por 77% de todo o café exportado do Brasil para os Estados Unidos, mas as exportações mineiras ao país caíram 23,7% no primeiro semestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, um recuo puxado justamente pelo café, que registrou queda de 34% e correspondeu a 642,3 milhões de dólares em vendas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Ou seja, a isenção tarifária não impediu que compradores americanos ajustassem volumes de compra diante da incerteza generalizada sobre as regras do comércio bilateral.

Como o cenário afeta o dia a dia de empresas e trabalhadores mineiros

Para os setores que passaram a pagar a nova sobretaxa, o principal risco não está apenas no valor exportado hoje, mas na possibilidade de perda de competitividade frente a concorrentes de outros países que não enfrentam a mesma cobrança. Isso pode pressionar contratos em renegociação e levar compradores americanos a buscar fornecedores alternativos, especialmente em segmentos nos quais Minas Gerais tem participação concentrada na produção nacional exportada.

Já no caso do café, o alívio imediato pela manutenção da isenção convive com uma preocupação de médio prazo. Representantes do setor destacam que, mesmo com a exclusão da tarifa de 25%, os importadores americanos já vinham reorganizando suas relações comerciais diante de meses de incerteza, o que pode significar uma perda de mercado difícil de recuperar, já que vínculos comerciais internacionais costumam levar tempo para se consolidar novamente. Esse tipo de reorganização silenciosa é, muitas vezes, mais determinante para o futuro das exportações do que a tarifa em si.

Com uma nova decisão da representação comercial americana prevista para os próximos dias, ligada à investigação sobre trabalho forçado, o setor produtivo mineiro segue atento a qualquer sinalização que possa alterar ainda mais o quadro atual. Por ora, o equilíbrio encontrado preserva os principais produtos da pauta exportadora do estado, mas deixa claro que o comércio entre Minas Gerais e os Estados Unidos segue mais sensível a decisões políticas do que a variações naturais de mercado.

Fontes:

  • https://diariodocomercio.com.br/economia/tarifa-eua-exportacoes-mineiras/
  • https://diariodocomercio.com.br/economia/cafe-exporacoes-minas-gerais-estados-unidos/
  • https://diariodocomercio.com.br/agronegocio/cafe-sobretaxa-eua/
  • https://www.hojeemdia.com.br/economiaefinancas/tarifaco-dos-eua-atinge-us-234-milh-es-em-exportac-es-de-15-produtos-mineiros-1.1126095
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