Procedimentos estéticos como lipoaspiração costumam ser vistos como um ponto final no processo de mudança corporal, quando, na verdade, tratam apenas do resultado visual em um momento específico, sem alterar os hábitos que levaram ao acúmulo de gordura original. Sem essa mudança, o corpo tende a voltar ao padrão anterior com o tempo, independentemente da qualidade técnica do procedimento realizado.
Lucas Peralles, especialista em comportamento alimentar, esclarece que esse é um dos motivos mais comuns de reganho de peso depois de cirurgias estéticas, especialmente quando o procedimento acontece sem qualquer trabalho paralelo sobre comportamento alimentar e rotina, mesmo em pacientes que tiveram excelente resultado cirúrgico no início.
A seguir, entenda o que acontece quando o procedimento muda o corpo, mas os hábitos permanecem os mesmos.
Por que cirurgia estética não resolve o comportamento?
Procedimentos como lipoaspiração removem células de gordura de regiões específicas, mas não alteram a forma como a pessoa se relaciona com a comida, nem os gatilhos emocionais ou hábitos que contribuíram para o ganho de peso original. Se esses fatores não forem trabalhados, novas células de gordura podem se acumular em outras regiões do corpo ao longo do tempo, mudando a distribuição da gordura corporal sem resolver a causa que originou o ganho de peso.
Esse tipo de resultado gera frustração, já que a pessoa investiu tempo, dinheiro e um procedimento invasivo esperando uma solução definitiva, sem saber que o comportamento por trás do ganho de peso original continuava intacto durante todo o processo.
O que costuma acontecer nos meses após a cirurgia?
Lucas Peralles observa que é comum que, logo após o procedimento, a pessoa se sinta motivada a manter hábitos mais saudáveis, aproveitando o resultado estético recém-conquistado. Sem acompanhamento estruturado, porém, essa motivação inicial tende a diminuir ao longo dos meses, e os padrões alimentares anteriores voltam gradualmente, especialmente em situações de estresse ou mudança de rotina que testam a capacidade de sustentar novos hábitos sem apoio externo.

Esse padrão de motivação inicial seguida de recaída é bastante previsível quando não existe um trabalho comportamental estruturado acompanhando o procedimento estético, já que a força de vontade sozinha raramente sustenta mudança de hábito no longo prazo.
Por que acompanhamento comportamental importa tanto quanto o procedimento?
Decisões sobre realizar ou não uma cirurgia estética são sempre médicas e pessoais, e devem ser conduzidas com o profissional responsável pelo procedimento. O que a nutrição comportamental pode oferecer, em paralelo, é trabalho sobre os padrões que levaram ao acúmulo de gordura inicial, para que o resultado do procedimento tenha mais chance de se manter ao longo do tempo, complementando o trabalho médico sem substituí-lo em nenhum momento do processo.
O ideal é que esse acompanhamento comece antes mesmo do procedimento acontecer, já que construir novos hábitos com antecedência tende a facilitar a manutenção do resultado depois da cirurgia, em vez de tentar mudar tudo de uma vez no período pós-operatório.
Reconhecendo sinais de que o padrão antigo está voltando
Retomar hábitos como beliscar entre refeições, aumentar gradualmente as porções ou recorrer à comida em momentos de estresse são sinais de que o comportamento alimentar pode estar voltando ao padrão anterior, mesmo que o resultado da cirurgia ainda pareça satisfatório visualmente nesse momento, antes de qualquer mudança perceptível na balança.
Lucas Peralles explica que identificar esses sinais precocemente costuma facilitar bastante a correção do comportamento nesse estágio inicial, diferente de lidar com reganho de peso significativo depois de meses de padrões alimentares desorganizados que se instalaram sem qualquer intervenção durante esse período.
O Instagram de Lucas Peralles traz conteúdos sobre comportamento alimentar e efeito sanfona. Para acompanhar mais sobre o tema, siga @nutriperalles.
