A Justiça autorizou a retomada parcial das operações da Mina de Fábrica, da Vale, em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. A decisão foi tomada em 23 de setembro de 2026 e divulgada pela mineradora no dia seguinte. As atividades no complexo estavam suspensas desde fevereiro, após um incidente registrado em uma estrutura da Cava Área 18.
A autorização não representa a liberação completa da mina. Conforme as informações divulgadas pela Agência Brasil, a retomada deverá ocorrer de forma parcial e seguir medidas de segurança, controles ambientais, licenças, autorizações e condicionantes previstas em um termo de compromisso.
O que aconteceu na Mina de Fábrica
O episódio que levou à paralisação ocorreu em 25 de janeiro de 2026, quando houve o rompimento de uma estrutura na Cava Área 18. O extravasamento atingiu aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos, com impactos apontados em áreas operacionais, propriedades vizinhas e cursos d’água da região.
Entre os corpos hídricos atingidos estão o Córrego Água Santa e o Rio Maranhão, afluente do Rio Paraopeba. A conexão com a bacia do Paraopeba amplia a relevância ambiental do caso para além do entorno imediato da mina e mantém o episódio sob atenção de órgãos públicos, comunidades e instituições responsáveis pelo acompanhamento das medidas de controle.
Após o incidente, o Ministério Público de Minas Gerais e o Estado de Minas Gerais apresentaram uma ação civil pública contra a mineradora. Em fevereiro, uma decisão judicial determinou a paralisação das operações do complexo minerário de Fábrica, medida que permaneceu em vigor até a nova autorização para a retomada parcial.
Retomada terá restrições e condicionantes
A decisão de setembro está vinculada ao cumprimento de exigências ambientais e de segurança. Isso significa que a Vale não recebeu autorização irrestrita para reativar todas as operações da Mina de Fábrica. As atividades permitidas deverão respeitar as condições estabelecidas no processo judicial e no termo de compromisso firmado com o Ministério Público de Minas Gerais e o Governo do Estado.
As informações disponíveis não indicam uma liberação geral do complexo nem detalham, na pauta consultada, todas as áreas autorizadas a funcionar. Por isso, o principal efeito da decisão é permitir uma retomada limitada, condicionada à manutenção dos controles exigidos e ao cumprimento das obrigações assumidas pela empresa.
O acompanhamento das medidas deverá considerar tanto a estabilidade e a segurança das estruturas minerárias quanto o controle de eventuais impactos sobre o solo, a água e as propriedades localizadas próximas à operação. A autorização judicial também não elimina as responsabilidades relacionadas ao incidente de janeiro.
Impactos para Ouro Preto e a bacia do Paraopeba
A Mina de Fábrica está localizada em Ouro Preto, cidade histórica da Região Central de Minas e um dos principais destinos turísticos do estado. A atividade minerária tem peso econômico no município e na região, com reflexos sobre trabalhadores, fornecedores e arrecadação. Ao mesmo tempo, a proximidade com áreas habitadas e cursos d’água torna a segurança operacional uma preocupação para moradores e autoridades.
A retomada parcial pode reduzir os efeitos econômicos provocados pela suspensão das atividades, mas o caso continua exigindo fiscalização e transparência sobre as condições impostas à mineradora. A presença de sedimentos em cursos d’água relacionados à bacia do Rio Paraopeba também reforça a necessidade de monitoramento ambiental e de divulgação dos resultados das medidas adotadas.
Em comunicado sobre a decisão, a Vale informou a autorização judicial para retomar parcialmente as operações. Já o Ministério Público de Minas Gerais registrou a ação civil pública apresentada após o rompimento da estrutura. O órgão também divulgou a decisão que havia determinado a paralisação das operações em fevereiro.
O caso permanece marcado por dois pontos centrais: a possibilidade de retomada de parte da atividade econômica e a obrigação de cumprir medidas de segurança e proteção ambiental. Para Ouro Preto, a autorização abre uma nova etapa do processo, mas não encerra a apuração nem o acompanhamento dos impactos provocados pelo vazamento de janeiro.
