Café perde espaço nas vendas externas mineiras, enquanto soja e carnes seguram o desempenho do setor no primeiro semestre de 2026.
O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões com exportações no primeiro semestre de 2026, mantendo o estado na terceira posição entre os maiores exportadores do setor no país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. O resultado, porém, veio acompanhado de um recuo de 9,6% na receita e de 3% no volume embarcado em relação ao mesmo período do ano passado, puxado principalmente pela queda nas vendas de café.
O peso do café na balança comercial mineira
O café segue como o principal produto da pauta exportadora do estado, respondendo por 50,1% da receita total do agronegócio mineiro, com R$ 22,9 bilhões em vendas no semestre. Apesar da valorização de 4,2% no preço médio da saca, o volume embarcado caiu 21,6% em relação ao primeiro semestre de 2025, resultado atribuído pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) à menor disponibilidade do grão após volumes elevados comercializados em ciclos anteriores e aos efeitos climáticos sobre a produção.
O cenário fica ainda mais desafiador quando se observa o mercado americano isoladamente. As exportações mineiras para os Estados Unidos caíram 23,7% no primeiro semestre de 2026, puxadas justamente pelo café, que recuou 34% nas vendas ao país, somando US$ 642,3 milhões. A queda reflete tanto a menor demanda quanto restrições tarifárias impostas por Washington, que pressionam preços e contratos de exportadores mineiros.
Soja e carnes ajudam a segurar o resultado
Enquanto o café perde força, outros produtos da pauta mineira mostram desempenho mais positivo. A soja ocupou a segunda posição entre os produtos mais exportados pelo estado, com faturamento de R$ 10,9 bilhões no semestre, alta de 10,2% em relação a igual período de 2025. O volume embarcado do complexo soja somou 5,01 milhões de toneladas, avanço de 2,5%, ajudando a amenizar a queda geral da receita do agronegócio estadual.
Juntos, café, soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais responderam por 96,2% de toda a receita gerada pelas vendas externas do agronegócio mineiro no período. A diversificação de mercados também contribuiu para sustentar o desempenho do setor: ao todo, o agro de Minas Gerais exportou para 166 países, com a China permanecendo como principal destino, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão.
A perspectiva para os próximos meses é mais favorável, impulsionada pela entrada da nova safra de café. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil possa colher 66,2 milhões de sacas na safra 2026, crescimento de 17,1% sobre o ciclo anterior. Como maior produtor nacional de café, Minas Gerais deve ter participação decisiva nesse avanço, já que a bienalidade positiva do arábica e a recuperação esperada da produtividade tendem a aumentar a disponibilidade do grão tanto para o mercado interno quanto para as exportações.
Mesmo com o recuo observado no primeiro semestre, o agronegócio segue respondendo por 40,9% de toda a receita obtida pelo estado com vendas ao exterior, reforçando seu papel como um dos principais motores da economia mineira. A combinação entre a recuperação esperada do café, o bom momento da soja e a diversificação de mercados deve ser determinante para o desempenho do setor até o fim do ano, especialmente diante do cenário de juros ainda elevados no Brasil, que impacta diretamente o custo do crédito rural para produtores e exportadores.
Fontes:
Exportações do agro de Minas Gerais somam R$ 45,6 bilhões no 1º semestre
https://rdmonline.com.br/exportacoes-do-agro-de-minas-gerais-somam-r-456-bilhoes-no-1o-semestre-impulsionadas-pelo-cafe/
Exportação de café cai, mas agronegócio mantém protagonismo, Diário do Comércio
https://diariodocomercio.com.br/agronegocio/exportacao-cafe-cai-agronegocio-protagonismo/
Café pressiona e exportações de Minas aos EUA recuam 23,7%, Diário do Comércio
https://diariodocomercio.com.br/economia/cafe-exporacoes-minas-gerais-estados-unidos/
