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Precificação de ativos estressados: A metodologia que investidores experientes aplicam onde o mercado recua, segundo Felipe Rassi

Diego Velázquez
Diego Velázquez 7 dias ago
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Felipe Rassi
Felipe Rassi
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Atribuir valor a um ativo que o mercado prefere ignorar é uma das competências mais sofisticadas e menos documentadas do universo financeiro, comenta Felipe Rassi, especialista em créditos estressados. Créditos em default, carteiras de recebíveis inadimplentes, participações em empresas em recuperação judicial: todos esses instrumentos exigem uma abordagem de precificação que vai muito além dos modelos convencionais baseados em fluxo de caixa descontado. O que determina se uma operação será lucrativa ou desastrosa está na qualidade do processo de avaliação conduzido antes da compra. 

Contents
O valor recuperável como ponto de partida de qualquer precificaçãoComo o tempo de recuperação transforma o retorno esperado?Por que a assimetria de informação é vantagem para quem faz o trabalho?

Leia mais a seguir!

O valor recuperável como ponto de partida de qualquer precificação

A primeira pergunta que um investidor experiente faz diante de um crédito estressado não é qual o desconto em relação ao valor de face. É o valor que pode ser efetivamente recuperado ao final do processo, considerando todos os custos envolvidos. Essa distinção é fundamental. Um crédito de R$ 10 milhões comprado por R$ 2 milhões parece atrativo no papel, mas pode ser um péssimo negócio se o valor recuperável líquido for de R$ 1,5 milhão após dois anos de processo judicial.

Estimar o valor recuperável exige uma análise em camadas. A primeira é a análise das garantias: existem garantias reais? Qual o valor de mercado atual dessas garantias, não o valor declarado na escritura? Estão livres de outros ônus ou encargos que possam comprometer a execução? A segunda camada é a análise da situação jurídica do crédito: está devidamente documentado, prescrito, contestado ou sujeito a nulidades que possam reduzir sua exigibilidade? A terceira é a análise da situação financeira do devedor: existe capacidade real de pagamento ou o processo de recuperação depende inteiramente da liquidação de ativos?

Felipe Rassi
Felipe Rassi

De acordo com o empresário Felipe Rassi, cada uma dessas camadas reduz ou amplia a estimativa do valor recuperável. Investidores que pulam alguma delas estão construindo seu modelo de precificação sobre premissas não verificadas, o que transforma a operação em especulação com aparência de análise. A disciplina em não pular etapas, mesmo quando o prazo para decisão é curto, é uma das marcas que diferenciam profissionais experientes dos que ainda estão aprendendo com os próprios erros.

Como o tempo de recuperação transforma o retorno esperado?

Segundo Felipe Rassi, uma das variáveis mais subestimadas na precificação de ativos estressados é o tempo. Um crédito que rende 200% sobre o valor investido em dois anos tem um retorno muito diferente do mesmo crédito que rende 200% em seis anos. A diferença não é apenas aritmética. Ela envolve o custo de oportunidade do capital imobilizado, o risco de eventos adversos ao longo do período e o impacto do tempo sobre o valor das garantias e sobre a capacidade de pagamento do devedor.

Investidores experientes modelam cenários de tempo com a mesma atenção que dedicam aos cenários de valor recuperável. O cenário base assume um prazo realista baseado em casos similares já conduzidos. O cenário pessimista considera atrasos processuais, recursos do devedor e complicações imprevistas. O cenário otimista modela uma negociação extrajudicial que abrevia o processo. A precificação de compra precisa funcionar nos três cenários, não apenas no mais favorável.

Por que a assimetria de informação é vantagem para quem faz o trabalho?

O mercado de créditos estressados opera com uma assimetria de informação considerável, revela Felipe Rassi. O credor original, que vende o ativo com desconto, frequentemente não tem recursos ou interesse em conduzir uma análise profunda do valor recuperável. Ele quer liquidez e aceita o desconto como custo dessa necessidade. O comprador que fez o trabalho de análise sabe mais sobre o ativo do que quem está vendendo. Essa assimetria é uma das fontes estruturais de retorno do segmento.

Construir essa vantagem informacional exige investimento real em processo de due diligence. Equipes jurídicas especializadas, acesso a bancos de dados de processos, capacidade de avaliar imóveis e outros ativos reais com precisão e experiência em negociação com devedores em situação de estresse. Assim, como destaca o especialista no mercado financeiro, Felipe Rassi, esses recursos não estão disponíveis para qualquer investidor, o que mantém o mercado relativamente concentrado em agentes com infraestrutura adequada.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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