Chapas de maior tamanho, com menos emendas e acabamentos que estimulam o toque. Diohn do Prado, diretor administrativo, identifica nessas escolhas o movimento que vem redesenhando os revestimentos de alto padrão, em projetos nos quais a superfície deixa de ser um fundo neutro e passa a conduzir a linguagem do ambiente.
A mudança acompanha transformações na forma de morar. A integração de ambientes, a presença de cozinhas abertas e a extensão de áreas sociais até varandas e jardins demandam materiais que propiciem continuidade visual. Paralelamente, o avanço das tecnologias de corte e beneficiamento ampliou as possibilidades de aplicação de pedras naturais e superfícies industrializadas.
O resultado é um repertório mais abrangente, que abarca desde a escala das peças até a textura do acabamento. Acompanhe nos próximos tópicos quais tendências ganham espaço em arquitetura e interiores e que cuidados elas exigem na especificação.
Grandes formatos e superfícies contínuas
O emprego de peças de grandes dimensões constitui uma das marcas mais evidentes dos projetos atuais. Chapas inteiras revestem as paredes, do piso ao teto, em uma proposta de continuidade visual. As ilhas da cozinha recebem tampos sem emendas, integrando os espaços de maneira harmônica. Painéis instalados atrás de lareiras ou cabeceiras de cama se destacam como elementos decorativos, contribuindo para um ambiente sofisticado e funcional. A redução das juntas transmite uma sensação de limpeza visual e amplitude.
A busca por continuidade aparece na integração entre superfícies. Bancadas em formato de cascata, cubas esculpidas na pedra e rodapés embutidos criam efeitos volumétricos. Ademais, Diohn do Prado explica que tal efeito depende de cortes em meia-esquadria precisos e de um planejamento que garanta a continuidade dos veios entre as faces.
Esse tipo de execução exige logística de transporte específica para peças grandes, acesso compatível ao imóvel e equipe preparada para a instalação. A ausência de um planejamento adequado pode resultar em limitações que se manifestam apenas durante a execução da obra, como elevadores com espaço reduzido ou escadas estreitas.
Veios marcantes, tonalidades e acabamentos naturais
Tal afirmação é corroborada por Diohn do Prado, diretor administrativo, que observa que peças com personalidade ocuparam espaço antes destinado a opções mais discretas. Quartzitos com veios intensos, mármores de desenho gráfico e granitos exóticos de movimentação ampla assumem o papel de protagonista, muitas vezes combinados a mobiliário e paredes de linhas simples para equilibrar a composição.

As tonalidades são cuidadosamente selecionadas para refletir a valorização das paletas inspiradas na natureza. Tons terrosos, beges quentes, verdes profundos e azuis de fundo mineral dividem espaço com os clássicos brancos e pretos. Pedras com variações de cores, provenientes da mesma chapa, em diálogo com madeira, metais escovados e tecidos naturais, compõem ambientes acolhedores sem prejuízo da sofisticação.
O acabamento finaliza essa transformação. Além do polimento tradicional, superfícies levigadas, escovadas e em textura couro ganharam destaque por sua alta capacidade de reduzir reflexos, disfarçar marcas de utilização e fornecer uma sensação tátil diferenciada. Em áreas externas, o flameado e o jateado são essenciais para garantir aderência em pisos molhados, proporcionando mais segurança.
Integração entre ambientes e personalização
A pedra passou a ser usada em mais ambientes, pois sua integração ampliou seu uso para além de cozinhas e banheiros. Um mesmo material pode ser usado em diferentes ambientes, criando unidade, mas exigindo atenção ao acabamento.
A tecnologia é a base para a promoção da liberdade. Máquinas de corte CNC e jato d’água permitem a execução de recortes complexos, encaixes precisos e formas orgânicas antes difíceis de executar. O escaneamento digital das chapas, por sua vez, auxilia na simulação da posição exata dos veios no projeto, reduzindo incertezas no momento do corte.
Diante de tantas possibilidades, o risco passa a ser o excesso. Pelo exposto, Diohn do Prado acredita que uma tendência somente se sustenta no longo prazo quando respeita a função do ambiente e a rotina de seus usuários. Um acabamento escolhido apenas pela estética pode, portanto, exigir manutenção incompatível com o uso diário.
O que as tendências revelam sobre o alto padrão?
Os grandes formatos, as superfícies contínuas, os veios marcantes e os acabamentos texturizados convergem para uma mesma direção: a de ambientes nos quais o revestimento participa da arquitetura e define a experiência do espaço. A pedra deixa de ser um item escolhido no fim da obra e passa a integrar as primeiras decisões do projeto.
Ademais, Diohn do Prado enfatiza que tal antecipação proporciona resultados mais coerentes, visto que permite alinhar a escolha da chapa, a logística, a execução e o uso desde o início. Quando essas etapas interagem, a tendência deixa de ser uma simples aposta estética e se transforma em uma solução duradoura.
Para profissionais da área, acompanhar as tendências é útil quando funcionam como um repertório, e não como uma regra. O elevado padrão, que se mantém atual, resulta da combinação entre estética, desempenho técnico e identidade dos moradores.
