Depois de anos com a doença praticamente sob controle no Brasil, o sarampo voltou a preocupar autoridades de saúde.
O estado de São Paulo confirmou um salto expressivo no número de casos nas últimas semanas, e a situação já é acompanhada de perto também fora das fronteiras paulistas, já que o vírus se espalha com facilidade entre estados por meio do fluxo constante de viagens e deslocamentos.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o número de casos confirmados subiu para 23 no estado, com sete novas infecções registradas em menos de uma semana. O aumento rápido chamou atenção porque rompe um período de relativa estabilidade que o país vinha mantendo em relação à doença nos últimos anos.
Cobertura vacinal abaixo da meta preocupa especialistas
Um dos fatores centrais por trás do avanço do vírus é a queda na adesão à vacina tríplice viral. Segundo dados preliminares da SES-SP, a cobertura vacinal está em 77,5% para a primeira dose e 65,5% para a segunda, índices inferiores à meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Essa diferença é justamente o que permite ao vírus circular com mais facilidade entre a parcela da população que ainda não está protegida.
Diante desse cenário, a resposta das autoridades foi ampliar rapidamente o público-alvo da vacinação. A Secretaria Estadual da Saúde estendeu a vacinação indiscriminada para pessoas de 6 meses a 59 anos na capital paulista, em São Bernardo do Campo e em Guarulhos, buscando fechar brechas de imunidade antes que o surto ganhe mais força.
Para sustentar esse esforço, houve envio imediato de novos lotes de vacina. A Secretaria Estadual da Saúde enviou 150 mil novas doses da vacina tríplice viral para a capital paulista e 80 mil para São Bernardo do Campo, garantindo que todos os municípios estejam abastecidos. Esse tipo de reforço evita desabastecimento local em um momento de maior procura pelo imunizante.
Para o restante do território nacional, a orientação segue a mesma linha de vigilância ativa. A recomendação para as demais cidades é intensificar as ações de vacinação, verificando a situação vacinal da população e realizando busca ativa e atualização de doses em atraso, conforme a idade e as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação.
Sintomas que merecem atenção
Reconhecer os sinais da doença rapidamente é essencial para evitar a propagação. O sarampo é uma doença de transmissão respiratória, com sintomas como febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca. A forma de contágio explica a rapidez com que surtos costumam avançar. A transmissão se dá de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.
Não existe tratamento específico contra o vírus, apenas manejo dos sintomas para reduzir o desconforto, o que reforça a importância da prevenção pela vacina como principal estratégia de controle. Em casos mais graves, sobretudo entre crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas, as complicações podem incluir pneumonia, infecção no ouvido, encefalite e, em situações extremas, morte.
Quem não deve tomar a vacina
Antes de procurar uma unidade de saúde, é importante conhecer as contraindicações. A vacina é contraindicada a imunossuprimidos e a bebês menores de 6 meses, além de pessoas com histórico de reação alérgica a algum componente do imunizante. Gestantes também estão fora do público elegível, já que o imunizante é composto por vírus vivo atenuado, o que representa risco durante a gravidez.
Há ainda uma orientação específica para quem recebeu outras vacinas recentemente. Quem tomou, nos últimos 30 dias, outra vacina de vírus atenuado, como febre amarela ou varicela, deve aguardar um intervalo recomendado antes de receber a tríplice viral, verificando a data adequada em uma unidade de saúde.
Acesso gratuito segue disponível em todo o país
A vacina permanece acessível gratuitamente na rede pública. Em São Paulo, por exemplo, o imunizante está disponível em todas as UBSs dos 645 municípios do estado. Pais e responsáveis têm papel importante nesse processo, sendo orientados a levar crianças e adolescentes menores de 15 anos às unidades de saúde com a caderneta de vacinação para verificação e atualização de doses em atraso.
Com o histórico recente de surtos em diferentes regiões do país, manter a caderneta vacinal em dia deixou de ser uma recomendação isolada de estados com casos confirmados. Trata-se de uma medida de proteção coletiva, especialmente importante em períodos de maior circulação de pessoas entre cidades e estados, como costuma acontecer em feriados prolongados.
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/sp-tem-novo-caso-de-sarampo-confirmado-infectados-chegam-a-16/
