Por décadas, o fluxo entre diagnóstico por imagem e intervenção cirúrgica seguiu um caminho indireto. Mas, hoje, a realidade aumentada está mudando essa lógica. Gustavo Khattar de Godoy, médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem, com doutorado pela UNICAMP e pós-doutorado pelo Johns Hopkins Hospital, acompanha as aplicações dessa tecnologia e o que ela representa para a integração entre diagnóstico e intervenção.
Para entender o tamanho dessa evolução, basta lembrar como as coisas funcionavam no modelo tradicional: o médico com especialização em radiologia analisava o exame, emitia o laudo, e o cirurgião reconstruía mentalmente a anatomia do paciente a partir de imagens em duas dimensões. Esse processo funcionava, mas dependia da capacidade cognitiva do cirurgião de traduzir informações bidimensionais em decisões tridimensionais no momento da operação. Com a realidade aumentada, essa barreira desaparece, permitindo que as imagens guiem o procedimento em tempo real.
Este artigo examina onde a realidade aumentada já entrega resultados concretos e onde ainda encontra limitações reais. Acompanhe!
Como a realidade aumentada funciona no contexto radiológico?
A realidade aumentada sobrepõe informações digitais ao campo de visão do profissional em tempo real. Na radiologia, dados extraídos de tomografias e ressonâncias podem ser projetados diretamente sobre o paciente durante um procedimento, permitindo visualizar estruturas internas sem alternar o olhar entre o paciente e uma tela separada. Essa sobreposição transforma a imagem diagnóstica em um guia navegacional ativo dentro do campo cirúrgico.
Como afirma Gustavo Khattar de Godoy, o potencial mais imediato está nos procedimentos que exigem precisão anatômica elevada. Procedimentos como biópsias guiadas, ressecções de nódulos pulmonares de pequenas dimensões e procedimentos torácicos minimamente invasivos são contextos onde visualizar em tempo real a localização exata da lesão reduz o tempo de procedimento e aumenta a taxa de sucesso na primeira tentativa.
Quais são os limites reais da tecnologia na prática atual?
A realidade aumentada na medicina enfrenta desafios técnicos que limitam sua adoção em larga escala. Visto que a precisão do registro entre a imagem digital e a anatomia real do paciente é um deles: pequenos deslocamentos causados por movimentos respiratórios ou mudanças de posição durante o procedimento podem comprometer a confiabilidade da sobreposição e introduzir margem de erro que o profissional experiente não teria sem ela.
De acordo com o médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem, Gustavo Khattar de Godoy, a curva de adoção depende diretamente do desenvolvimento de sistemas capazes de atualizar o registro em tempo real. Enquanto esse problema não estiver tecnicamente resolvido de forma robusta, a realidade aumentada continuará sendo promissora em contextos específicos, mas ainda distante de se tornar padrão universal na prática radiológica.

O impacto no planejamento cirúrgico pré-operatório
Além das aplicações intraoperatórias, a realidade aumentada tem papel crescente no planejamento pré-cirúrgico. Por meio dela, modelos tridimensionais construídos a partir de exames de imagem permitem que equipes cirúrgicas explorem a anatomia específica de cada paciente antes de entrar no centro cirúrgico, identificando variações anatômicas e antecipando dificuldades técnicas com detalhes que as imagens convencionais não oferecem.
Gustavo Khattar de Godoy destaca que essa aplicação é hoje uma das mais maduras da tecnologia, porque não depende da precisão de registro em tempo real que os usos intraoperatórios exigem. Diante disso, hospitais que incorporam a visualização tridimensional ao planejamento relatam reduções no tempo de procedimento e maior segurança nas decisões técnicas, especialmente em casos onde a anatomia do paciente apresenta variações relevantes.
A imagem como protagonista ativa do tratamento
A realidade aumentada não substitui a expertise do médico com especialização em radiologia nem a habilidade do cirurgião. Na verdade, amplia a capacidade de ambos de agir com mais precisão e integração. Segundo Gustavo Khattar de Godoy, essa ponte entre diagnóstico e intervenção é o que a tecnologia tem de mais transformador, e seu desenvolvimento continuado promete redefinir como a imagem médica participa ativamente do momento em que o tratamento acontece.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
