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Brasil pode voltar ao top 10 das maiores economias do mundo em 2026; entenda o que está por trás desse avanço

Alessio Corvani
Alessio Corvani 3 meses ago
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O crescimento do PIB no primeiro trimestre e a alta nas exportações recolocam o país no radar global, mas os juros elevados seguem como principal obstáculo à continuidade do desempenho

O Brasil se aproxima de uma posição que ficou fora de alcance nos últimos dois anos: a décima maior economia do planeta, medida em dólares correntes. O movimento não é fruto de uma virada repentina, mas da combinação de fatores que vêm se acumulando, entre eles o desempenho acima do esperado no início de 2026, a alta das exportações de commodities e a valorização do real frente ao dólar. Para o leitor que acompanha o debate econômico, a pergunta que fica é: esse avanço é consistente ou depende de variáveis que podem se inverter rapidamente?

A resposta, como costuma acontecer na economia, não é simples. Há elementos sólidos que sustentam a melhora do indicador, mas também riscos concretos que os analistas não deixam de apontar, especialmente diante de um ambiente externo mais turbulento, marcado por conflitos geopolíticos e pressões sobre os preços de energia.

O que explica o salto no ranking global

O Brasil deve voltar a ocupar a posição de décima maior economia do mundo em 2026, segundo projeções do FMI compiladas pela consultoria Austin Ratings a partir de dados de 45 países. A estimativa foi reforçada após o PIB brasileiro crescer 1,1% no primeiro trimestre deste ano, desempenho acima do esperado pelo mercado. Agência Brasil

Esse crescimento foi puxado principalmente pelo setor de serviços e pela recuperação dos investimentos. O levantamento mostra que o Brasil deve ultrapassar o Canadá no ranking global das maiores economias medido em dólares correntes. Em 2024 e 2025, o país havia caído para a décima primeira posição, após ser superado pela Rússia e pelo Canadá. Entre os 45 países analisados pela Austin Ratings, o Brasil registrou o sexto maior crescimento econômico no primeiro trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores, ficando atrás apenas de Hong Kong, Taiwan, Dinamarca, Coreia do Sul e China. Agência Brasil

No comércio exterior, os números reforçam o quadro positivo. Até a segunda semana de junho de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior, as exportações cresceram 25,3% e somaram US$ 16,37 bilhões. As importações cresceram 12,3% e totalizaram US$ 11,71 bilhões. A balança comercial registrou superávit de US$ 4,66 bilhões, com crescimento de 76,9%. No acumulado do ano, as exportações somaram US$ 164,94 bilhões, com crescimento de 10,4% frente ao mesmo período de 2025, enquanto a balança comercial acumulou superávit de US$ 37,32 bilhões, com crescimento de 37,1%. BalançaBalança

O FMI revisou o Brasil para cima, mas com ressalvas

Mesmo com o cenário externo mais adverso, o Brasil recebeu revisão positiva do Fundo Monetário Internacional. O FMI elevou a estimativa de crescimento para o Brasil de 1,6% para 1,9% em 2026. De acordo com o fundo, o país tende a ser menos afetado que economias da Ásia, Europa e África e pode até se beneficiar no curto prazo por ser exportador líquido de energia. Agência Brasil

A revisão, no entanto, não é um cheque em branco. O FMI alertou para o risco de recessão global caso a guerra no Oriente Médio se prolongue. Em um cenário mais adverso, com petróleo acima de US$ 100 por barril até 2027, o mundo poderia se aproximar de uma recessão. Já em uma hipótese mais severa, com preços chegando a US$ 110 em 2026, a inflação global ultrapassaria 6%, exigindo novos apertos monetários por parte dos bancos centrais. Para o Brasil, o risco está em que os mesmos fatores que hoje favorecem o país, como a alta do petróleo, podem se tornar um problema se a inflação doméstica perder o controle. Agência Brasil

Juros altos continuam sendo o nó da economia

O principal freio ao crescimento brasileiro em 2026 segue sendo a taxa de juros. A CNI, em seu Relatório Economia Brasileira 2025-2026, aponta que o ritmo de atividade continuará pressionado pelo alto nível dos juros e pelo enfraquecimento do mercado de trabalho. A taxa Selic encerrará 2026 em 12% ao ano, contra os 15% ao ano praticados anteriormente. O presidente da CNI, Ricardo Alban, foi direto ao apontar o problema: “Com juros nesse patamar, a economia vai desacelerar ainda mais, prejudicando todos os setores produtivos, em especial a indústria. É necessário que o Banco Central inicie o ciclo de cortes na Selic o quanto antes.” Agência BrasilAgência Brasil

Setores específicos, porém, conseguem crescer mesmo nesse ambiente. A construção deve avançar 2,5% em 2026, impulsionada pelo novo modelo de crédito imobiliário, pelo aumento do teto do Sistema Financeiro da Habitação e pela ampliação de financiamentos do Minha Casa, Minha Vida. A indústria extrativa deve crescer 1,6%, apoiada pelo forte volume de produção de petróleo e minério de ferro. Agência Brasil

O Brasil de 2026 é, portanto, um país que avança em meio a contradições: exporta mais, cresce acima do esperado e sobe no ranking global, mas ainda convive com juros que pesam sobre investimentos e consumo. O desafio para o segundo semestre é sustentar o impulso do início do ano em um ambiente que promete continuar exigente.

Fontes: Agência Brasil | Agência Brasil/FMI | Agência Brasil/CNI | Ministério do Desenvolvimento/Balança Comercial

Autor: Diego Rodríguez Velázquez


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