Levantamento da Secult aponta que os dois setores respondem por cerca de 8% do PIB estadual no primeiro semestre de 2026, consolidando Minas como referência nacional
Quanto o turismo e a cultura realmente representam para a economia mineira hoje? A resposta, divulgada pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), surpreende até quem acompanha de perto o setor: juntos, os dois segmentos já somam mais de R$ 94 bilhões em impacto econômico no primeiro semestre de 2026, um volume que reposiciona Minas Gerais no mapa dos destinos e das economias criativas do país.
Como o governo chegou a esse número
De acordo com a Secult, o cálculo considera o Produto Interno Bruto mineiro acumulado em 12 meses, estimado pela Fundação João Pinheiro em R$ 1,167 trilhão. A partir desse total, a secretaria isolou a participação do turismo, que responde por quase 7% da economia estadual, somando o impacto da cultura e da economia criativa. O resultado combinado ultrapassa os R$ 94 bilhões, o equivalente a aproximadamente 8% de tudo o que Minas Gerais produz em bens e serviços ao longo de um ano.
Esse tipo de mensuração é importante porque ajuda a dimensionar setores que, historicamente, eram tratados como coadjuvantes na política econômica estadual. Ao integrar patrimônio histórico, gastronomia, festas populares, museus e rotas turísticas em uma única cadeia produtiva, o governo mineiro busca justificar investimentos públicos direcionados a esses segmentos, que empregam parcelas significativas da população em cidades do interior.
O peso da economia criativa nos números
Um dos dados mais expressivos do levantamento é o impacto da economia criativa, que sozinha alcançou R$ 12,7 bilhões em 2024, segundo a Secult. Esse resultado é fruto de investimentos em editais de fomento, manutenção de equipamentos culturais, valorização de manifestações populares e apoio a iniciativas ligadas às culturas afromineiras, além de programas de formação profissional voltados a artistas e produtores culturais.
Municípios do interior mineiro, muitas vezes distantes dos grandes centros urbanos, têm se beneficiado dessa política ao integrar festivais tradicionais, museus locais e rotas gastronômicas em circuitos turísticos organizados pelo governo estadual. Segundo a Secult, essa é uma estratégia deliberada para descentralizar os ganhos econômicos do setor, que tradicionalmente se concentravam em Belo Horizonte e em cidades históricas já consolidadas como destino, caso de Ouro Preto e Tiradentes.
Setores que mais se beneficiam da cadeia produtiva
Segundo o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, a força desses números está justamente na capacidade de movimentar diferentes elos da economia local. Hotéis, bares, restaurantes, empresas de transporte, produtoras culturais, artesãos e guias turísticos fazem parte de uma cadeia que vai muito além do turista que visita uma cidade histórica ou participa de um festival.
Para o secretário, cada manifestação cultural, seja uma festa religiosa, uma feira gastronômica ou um evento em museu, gera efeitos econômicos que se espalham por toda a comunidade envolvida. Essa visão integrada de desenvolvimento é a base do programa estadual conhecido como Minas Essencial, que busca conectar patrimônio histórico, promoção turística, gastronomia e manifestações religiosas como parte de uma mesma estratégia de geração de renda.
O que explica o bom desempenho do setor em 2026
Parte do resultado positivo também está associada ao Carnaval da Liberdade, realizado em fevereiro, que sozinho injetou cerca de R$ 5,83 bilhões na economia mineira, alta de 10% em relação ao ano anterior. O evento reuniu 14,9 milhões de foliões em todo o estado, sendo 6,5 milhões apenas em Belo Horizonte, número que superou em 14,2% os registros de 2025.
Esse tipo de evento de grande porte costuma funcionar como termômetro para o desempenho do turismo ao longo do ano, já que aquece de forma imediata a rede hoteleira, o comércio local e o setor de serviços. Analistas do setor turístico avaliam que resultados como esse ajudam a sustentar a trajetória de crescimento observada nos primeiros seis meses de 2026, mesmo em um cenário econômico nacional marcado por certa cautela.
Com o primeiro semestre encerrado em patamar considerado positivo pelo governo estadual, a expectativa da Secult é de que o ritmo se mantenha nos próximos meses, impulsionado por eventos sazonais, festas tradicionais do fim de ano e pela continuidade dos programas de fomento cultural já em andamento. A avaliação de gestores públicos é que consolidar cultura e turismo como pilares econômicos permanentes, e não apenas como setores de apoio, é o principal desafio para os próximos anos em Minas Gerais.
