Alta nas vendas de ouro impulsiona resultado do estado, mas indústria mineira ainda opera com cautela em 2026.
Os números do comércio exterior colocam Minas Gerais em posição de destaque no cenário econômico nacional. Nos cinco primeiros meses de 2026, o estado somou US$ 17,9 bilhões em exportações, resultado que garantiu um superávit de mais de US$ 10 bilhões na balança comercial e um fluxo comercial total de US$ 25,7 bilhões. O desempenho reforça a posição de Minas como o segundo maior exportador do país, mas também levanta uma pergunta natural para quem acompanha a economia mineira no dia a dia: esse resultado positivo no comércio exterior está realmente se traduzindo em crescimento e geração de emprego dentro do estado?
O papel do ouro e da mineração no resultado recorde
O principal motor do bom desempenho foi o ouro, que registrou alta de 75,8% nas vendas internacionais em comparação ao mesmo período do ano passado, um salto de US$ 825,4 milhões. Também chamaram atenção os aumentos expressivos em outros minérios de metais preciosos e em veículos aéreos. Segundo a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, o resultado mostra a capacidade do estado de diversificar mercados e fortalecer relações comerciais mesmo em um cenário internacional mais instável.
Apenas em maio, Minas exportou US$ 3,5 bilhões, respondendo por 11% de todos os embarques internacionais do Brasil, com vendas para 148 países. A China segue como o principal parceiro comercial, concentrando 35,6% das exportações mineiras, seguida por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Itália. Entre os municípios exportadores, Araxá liderou o ranking, respondendo por 8,4% das vendas do estado, à frente de Nova Lima, Varginha, Paracatu e Uberlândia. O boletim da Fiemg também mostrou que o PIB da mineração avançou 4,1% no primeiro trimestre, puxado principalmente pela Vale, que teve alta de 10,8% na produção, enquanto outras mineradoras registraram quedas no período.
O que esperar da economia mineira para o restante do ano
Apesar dos números positivos no comércio exterior, o cenário para a indústria de transformação é mais cauteloso. A Sondagem Industrial da Fiemg mostrou que a produção voltou a crescer em maio, mas ainda em ritmo mais fraco do que há um ano, pressionada por juros elevados, crédito mais restritivo e incertezas no cenário internacional, como a desaceleração da economia chinesa. Economistas ouvidos pelo setor produtivo projetam que o PIB de Minas Gerais deve crescer 1,9% em 2026, uma leve desaceleração frente aos 2% registrados no ano anterior, embora o número ainda esteja acima da média nacional estimada em 1,8%.
Um fator que deve pesar sobre as decisões de investimento ao longo do ano é o calendário eleitoral. Períodos eleitorais tendem a aumentar a cautela de empresários e investidores, afetando expectativas e prêmios de risco, especialmente em setores mais sensíveis à confiança, como o comércio de bens duráveis. Ainda assim, segmentos como mineração, agronegócio e logística devem sustentar o emprego no estado, mesmo que com menor intensidade do que em anos anteriores. Para o mineiro que depende diretamente desses setores, o cenário sugere estabilidade no curto prazo, mas sem grandes saltos de expansão até que o quadro político e econômico nacional se defina com mais clareza.
Ao equilibrar um comércio exterior aquecido com uma indústria doméstica mais cautelosa, a economia mineira caminha para fechar 2026 em um ritmo de estabilidade controlada. O desafio segue sendo transformar a força exportadora do estado, especialmente em setores como mineração e agronegócio, em ganhos mais amplos para o mercado de trabalho local, algo que dependerá também da qualificação da mão de obra em áreas de maior tecnologia e do desfecho do cenário eleitoral que se aproxima.
Fontes consultadas: Diário do Comércio, https://diariodocomercio.com.br/economia/pib-mineracao-minas-gerais/ | Jornal Correio de Uberlândia, https://jornalcorreiodeuberlandia.com.br/noticia/95246/minas-gerais-encerra-os-cinco-primeiros-meses-de-2026-com-us-17-9-bilhoes-em-exportacoes
