Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, defende uma perspectiva que vai muito além da escolha de móveis e revestimentos: o ambiente residencial precisa ser sentido antes de ser visto. Neste artigo, exploraremos como a aromaterapia e a sensorialidade estão redefinindo o bem-estar no design de interiores, por que essa abordagem é cada vez mais valorizada e de que forma aplicar esses recursos com inteligência em projetos residenciais.
Confira a seguir!
Por que o olfato é o sentido mais subestimado no design de interiores?
Durante décadas, o design residencial foi pensado quase exclusivamente para os olhos. Paletas de cores, texturas visuais, proporções e iluminação dominaram os critérios de avaliação de um bom projeto. Contudo, pesquisas em neurociência comportamental demonstram que o olfato é o único dos cinco sentidos com ligação direta ao sistema límbico, região do cérebro responsável pelas emoções e pela memória afetiva.
Tal como apresenta Daugliesi Giacomasi Souza, isso significa que um aroma pode provocar sensações de acolhimento, segurança ou relaxamento com muito mais imediatismo do que qualquer elemento visual. Lavanda, sândalo, cedro e bergamota são alguns dos mais utilizados em projetos orientados ao bem-estar, e cada um carrega uma função específica.
Como a sensorialidade amplia a percepção dos espaços?
A sensorialidade no design vai além do olfato. Ela envolve a textura dos revestimentos, a temperatura acústica dos ambientes, a qualidade da luz natural e artificial e, de maneira crescente, a integração coerente entre todos esses estímulos. Daugliesi Giacomasi Souza aprecia combinar superfícies táteis como linho, pedra natural e madeira bruta com aromas que reforçam a paleta visual.

Um projeto sensorial bem executado faz com que o morador perceba o ambiente como mais amplo, confortável e vivo, mesmo que as dimensões físicas sejam modestas. Tapetes, painéis de cortiça e cortinas pesadas funcionam como recursos acústicos que, combinados a estímulos olfativos, potencializam o efeito de bem-estar. A coerência entre esses elementos é o que transforma um espaço decorado em um espaço habitável.
Quais são as melhores estratégias para aplicar aromaterapia em projetos residenciais?
A implementação eficaz da aromaterapia exige planejamento desde a concepção do projeto. Não se trata de posicionar um difusor em qualquer canto, mas de definir uma identidade olfativa para cada cômodo, respeitando sua função e o perfil de quem o habita. Os ambientes de descanso, por exemplo, pedem fragrâncias suaves e sedativas, enquanto escritórios em home office se beneficiam de notas cítricas que estimulam o foco.
Como fundadora da DGdecor, Daugliesi Giacomasi Souza orienta seus clientes a tratar os aromas como uma extensão natural da paleta de materiais. O design biofílico amplia essa abordagem com alternativas como plantas aromáticas em canteiros internos, madeiras perfumadas usadas em acabamentos e tecidos com óleos essenciais incorporados. Cada um desses recursos produz um resultado muito mais sofisticado do que qualquer intervenção posterior.
De que forma a sensorialidade aumenta o valor percebido de um imóvel?
O mercado imobiliário de alto padrão já reconhece o impacto da sensorialidade na percepção de valor. Imóveis com identidade sensorial bem definida são vendidos ou alugados em menor tempo e por valores superiores à média, pois o potencial comprador não avalia apenas o que vê, mas o que sente ao atravessar aquele espaço pela primeira vez.
Daugliesi Giacomasi Souza incorpora essa lógica de forma estratégica e acessível: o projeto sensorial não é exclusividade de grandes orçamentos. Com conhecimento técnico e escolhas coerentes, é possível criar experiências olfativas e táteis marcantes mesmo em projetos de médio porte. O que diferencia um ambiente memorável não é o custo de cada elemento, mas a precisão com que todos se articulam em torno de uma mesma intenção.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
