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Transtorno de acumulação no idoso: quando guardar objetos em excesso deixa de ser hábito e se torna condição clínica com impacto sobre segurança e qualidade de vida

Alessio Corvani
Alessio Corvani 4 meses ago
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Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela
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Conforme analisa Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, poucos comportamentos do idoso são tão frequentemente mal interpretados quanto o acúmulo excessivo de objetos. Familiares atribuem ao apego geracional, vizinhos à excentricidade e profissionais de saúde raramente fazem qualquer pergunta a respeito. No entanto, quando o acúmulo compromete a circulação dentro do domicílio, impede a limpeza adequada do ambiente, gera conflitos familiares intensos e produz sofrimento no próprio idoso que não consegue descartar nada, estamos diante de uma condição clínica com critérios diagnósticos definidos, implicações funcionais concretas e abordagem terapêutica específica.

Contents
O que diferencia o acúmulo patológico do hábito de guardar?Relação com declínio cognitivo e transtornos do humorO papel da família e os riscos de intervenções forçadasTratamento, suporte e as possibilidades reais de mudança

Neste artigo, apresentamos o que a medicina sabe sobre o transtorno de acumulação na terceira idade e por que ele merece ser levado a sério. Aprofunde-se lendo a seguir!

O que diferencia o acúmulo patológico do hábito de guardar?

A geração que viveu períodos de escassez frequentemente desenvolveu o hábito de guardar objetos como estratégia de segurança. Esse comportamento, contextualmente compreensível, não se confunde com o transtorno de acumulação, embora possa coexistir com ele. No entanto, o que caracteriza o transtorno é a dificuldade persistente de descartar ou separar-se de objetos independentemente de seu valor real, associada a uma necessidade percebida de guardar os itens e a um sofrimento significativo diante da perspectiva de descartá-los.

Como detalha Yuri Silva Portela, o resultado prático é um domicílio progressivamente tomado por objetos que comprometem a funcionalidade do espaço. De fato, corredores bloqueados que aumentam o risco de quedas, cozinhas inacessíveis que prejudicam a alimentação adequada, banheiros obstruídos que dificultam a higiene e ambientes que não podem ser limpos de forma adequada são consequências diretas do transtorno que produzem riscos clínicos concretos e mensuráveis.

Relação com declínio cognitivo e transtornos do humor

O transtorno de acumulação no idoso frequentemente não ocorre de forma isolada. Há associação documentada com depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de ansiedade generalizada, especialmente relevante na população geriátrica, com o declínio cognitivo. Em idosos com comprometimento cognitivo leve ou demência inicial, o acúmulo pode representar uma estratégia de compensação para a perda de memória: guardar tudo porque não se confia mais na própria capacidade de lembrar onde as coisas estão ou de readquiri-las quando necessário.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Na perspectiva de Yuri Silva Portela, identificar o transtorno de acumulação no idoso exige uma avaliação que vá além do comportamento observado e investigue sua relação com o estado cognitivo e emocional do paciente. Tratar o acúmulo sem tratar a depressão subjacente ou o declínio cognitivo que o alimenta é uma abordagem incompleta com baixa probabilidade de resultado duradouro.

O papel da família e os riscos de intervenções forçadas

A reação familiar diante do transtorno de acumulação frequentemente oscila entre a tolerância prolongada e a intervenção abrupta. Quando a situação chega a um ponto de crise, familiares tendem a organizar mutirões de limpeza que descartam objetos sem o consentimento do idoso, na crença de que o ambiente reorganizado resolverá o problema. Essa abordagem, além de desrespeitar a autonomia do paciente, tende a produzir o efeito oposto: o idoso, traumatizado pela perda forçada de seus pertences, frequentemente reacumula em ritmo ainda mais intenso.

Conforme expõe Yuri Silva Portela, o envolvimento da família no tratamento é fundamental, mas precisa ser orientado por profissionais capacitados. A abordagem terapêutica eficaz é gradual, respeitosa e centrada na construção de confiança com o paciente, não na reorganização forçada do ambiente.

Tratamento, suporte e as possibilidades reais de mudança

A terapia cognitivo-comportamental adaptada para o transtorno de acumulação é a intervenção com maior respaldo científico disponível, com protocolos específicos que trabalham as crenças do paciente sobre seus objetos, sua capacidade de tomar decisões sobre descarte e sua tolerância ao desconforto associado à separação de pertences. Em idosos, essas intervenções precisam ser adaptadas ao ritmo cognitivo e à história de vida do paciente para serem eficazes.

Segundo Yuri Silva Portela, reconhecer o transtorno de acumulação como condição clínica legítima e não como falha de caráter ou excentricidade é o primeiro passo para que o idoso receba o cuidado que precisa. Um domicílio seguro e funcional não é luxo: é condição básica para o envelhecimento com autonomia e dignidade.

TAGGED:Doutor Yuri Silva PortelaDoutor Yuri Silva Portela pós graduado em GeriatriaDr. Yuri Silva PortelaO que aconteceu com Yuri Silva PortelaQuem é Yuri Silva PortelaTudo sobre Yuri Silva PortelaYuri Silva Portela
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