De acordo com a diretoria da Rede GTB, uma das revendedoras de combustível mais tradicionais do Rio de Janeiro, a gasolina vendida nos postos brasileiros carrega cada vez mais etanol, e os receios de alguns motoristas crescem na mesma proporção. Depois de passar a 30% e a 32% de mistura, o combustível já enfrenta novos testes para chegar a 35%. Diante dessa sequência de mudanças, muita gente teme desgaste precoce no motor, perda de desempenho e aumento de gastos na oficina.
Isto posto, a resposta exige separar o que os ensaios já comprovam do que continua em aberto. O tema envolve química do combustível, calibração dos veículos e idade da frota, e cada fator pesa de modo diferente. A seguir, você acompanha os resultados, as posições das montadoras e os cuidados práticos para abastecer com segurança.
O que os testes já indicam sobre a gasolina com mais etanol?
Os ensaios mais citados vêm do Instituto Mauá de Tecnologia, contratado pela Unica, entidade que reúne produtores de etanol, com protocolo aprovado pelo grupo de acompanhamento do Ministério de Minas e Energia. O instituto avaliou dirigibilidade, desempenho e emissões em 16 carros e 13 motos fabricados entre 1994 e 2024, todos movidos apenas a gasolina, com misturas de até 32% de etanol. Nesse conjunto, não apareceram diferenças de comportamento atribuídas ao combustível.
O resultado faz sentido do ponto de vista técnico. Segundo a Rede GTB, o etanol anidro eleva a octanagem da gasolina, o que ajuda o motor a resistir à detonação. Além disso, o sistema de injeção eletrônica ajusta a quantidade de combustível automaticamente, compensando o menor poder energético do etanol, que entrega cerca de 70% da energia da gasolina por litro.
Qual é a posição das montadoras sobre a mistura?
As montadoras pedem mais rigor técnico antes de novos aumentos. A Anfavea, associação do setor, questionou os estudos usados pelo governo para aprovar a mistura de 32%, porque eles mediram desempenho e dirigibilidade, sem avaliar a durabilidade do motor, autonomia e emissões em longo prazo. Para as fabricantes, a validação completa precisa vir antes de qualquer mudança definitiva.
Essa cobrança tem lógica prática, porque desgaste de componentes aparece com o tempo, não em ensaios curtos. Mangueiras, vedações e bombas de combustível de veículos antigos podem sofrer exposição prolongada ao etanol. Por isso, a gasolina premium, que segue com 25% de etanol, funciona como uma alternativa para modelos calibrados para teores menores, informa a diretoria da Rede GTB.

Onde ainda existe debate sobre o etanol na gasolina?
Apesar da tranquilidade em relação aos carros flex, três frentes seguem sem resposta definitiva. Os testes de durabilidade, que medem desgaste ao longo de milhares de quilômetros, só entram na pauta a partir do E35. Enquanto isso, a mistura de 32% vale temporariamente, e as lacunas seguem em estudo. Entre elas, se destacam:
- Durabilidade: faltam ensaios longos que meçam desgaste de bombas, vedações e injetores;
- Autonomia e emissões: a menor energia do etanol aumenta o consumo, e o impacto exato varia por veículo;
- Frota antiga: modelos calibrados para teores menores de etanol exigem cautela e mais dados.
Essas lacunas indicam que o debate não opõe defensores e críticos do etanol, e sim ritmo de validação. Reconhecer lacunas evita dois erros comuns: tratar a mistura como inofensiva para qualquer carro ou condená-la sem evidência. Nesse cenário, a decisão final depende de dados novos, não de impressões, pontua a Rede GTB.
Como abastecer com segurança enquanto o debate continua?
Quem dirige um carro flex pode abastecer sem receio, pois esses modelos foram projetados para funcionar com etanol hidratado puro, teor muito superior ao da mistura. O consumo, porém, tende a subir um pouco, já que cada litro rende menos energia. Compare o desempenho de cada tanque e observe a autonomia antes de concluir que o carro piorou.
Já os donos de veículos mais antigos, movidos só a gasolina, devem seguir o manual e considerar a premium com 25% de etanol se notarem falhas na aceleração. A diretoria da Rede GTB enfatiza ainda a necessidade de manter as revisões em dia, com filtros e velas verificados, e de abastecer em postos confiáveis, para evitar adulteração.
Mais etanol na gasolina exige dados, não pânico
Em conclusão, os testes disponíveis indicam que a gasolina com até 32% de etanol não alterou o comportamento dos veículos avaliados, e os carros flex lidam bem com o aumento. Ainda assim, a ausência de ensaios longos mantém a cautela das montadoras, e essa cautela tem fundamento. Portanto, a resposta honesta hoje é que o risco parece baixo, mas ainda não está totalmente medido.
Isto posto, como menciona a Rede GTB, um motorista bem informado decide melhor do que o assustado. Portanto, acompanhe os resultados dos testes do E35, respeite as indicações do fabricante do seu veículo e observe sinais de falha no dia a dia. Dessa forma, você protege o motor sem rejeitar uma mudança que já faz parte da gasolina brasileira.
