Alta de energia elétrica pressiona grupo Habitação, enquanto Alimentação registra a maior queda entre os itens pesquisados
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado ficou um pouco acima do esperado pelo mercado financeiro, que projetava, em pesquisa da Reuters, uma variação positiva de 0,03% no mês. Com o dado de julho, o índice acumula alta de 4,44% nos últimos 12 meses, patamar também levemente superior à expectativa de 4,40% dos analistas consultados.
O que puxou o índice para cima
O grupo Habitação foi o que apresentou a maior variação e o maior impacto individual no resultado geral de julho, com alta de 0,99% e contribuição de 0,15 ponto percentual para o índice cheio. O principal responsável por esse movimento foi o item energia elétrica residencial, cuja variação acelerou de 1,53% em junho para 3,09% em julho, reflexo direto de reajustes tarifários aplicados por concessionárias em diferentes estados, entre eles um aumento de 8,85% em uma distribuidora paulista, com vigência a partir do início do mês.
Na contramão, o grupo Alimentação e bebidas registrou a maior queda entre os nove segmentos pesquisados pelo IBGE, com recuo de 0,67% e impacto negativo de 0,14 ponto percentual sobre o índice geral. Os demais grupos oscilaram dentro de uma faixa mais estreita, com destaque para a queda de 0,66% em Vestuário e a alta de 0,40% em Saúde e cuidados pessoais, este último puxado principalmente pelo reajuste nos preços de planos de saúde, autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Como os planos de saúde entraram na conta
Dentro do grupo Saúde e cuidados pessoais, o item plano de saúde variou 0,42% no mês, reflexo dos percentuais de reajuste autorizados pela ANS para diferentes categorias de contratos. Para planos firmados após a Lei nº 9.656, de 1998, o teto de reajuste ficou em até 5,11%, com vigência a partir de maio deste ano e validade até abril de 2027. Já para contratos firmados antes dessa mesma lei, os percentuais autorizados variaram entre 5,52% e 6,20%, a depender das características específicas de cada plano.
Também dentro do mesmo grupo, os artigos de higiene pessoal subiram 0,64% no período, com destaque para o item perfume, que avançou 1,04% e ajudou a puxar o resultado geral do segmento para cima, mesmo em um mês de inflação relativamente contida na comparação com outros períodos do ano.
O contexto da política monetária
O resultado do IPCA de julho foi um dos indicadores levados em conta pelo Copom na decisão de reduzir a Selic para 14% ao ano na reunião realizada logo depois da divulgação dos dados pelo IBGE. Ainda que a inflação em 12 meses esteja acima do centro da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, o valor permanece dentro da banda de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que tem dado ao Banco Central espaço para conduzir um ciclo gradual de corte de juros sem abrir mão do compromisso com a estabilidade de preços no médio prazo.
Analistas de mercado avaliam que a trajetória da inflação nos próximos meses dependerá, em grande medida, do comportamento dos preços de alimentos e da energia elétrica, dois dos itens que mais oscilaram no resultado de julho. Novos reajustes tarifários já anunciados por concessionárias de diferentes estados, com vigência prevista para os próximos meses, devem continuar pressionando o grupo Habitação ao longo do segundo semestre.
O que observar nos próximos meses
A próxima divulgação do IPCA, referente ao mês de agosto, está prevista para o início de setembro, e deve ser acompanhada de perto pelo mercado financeiro como um dos principais indicadores para a decisão do Copom na reunião marcada para os dias 15 e 16 daquele mês. Até lá, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, prévia mensal calculada também pelo IBGE, deve oferecer uma primeira sinalização sobre a tendência de preços no país antes da divulgação do dado oficial fechado do mês.
Fontes:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/236/inpc_ipca_2026_jul.pdf
https://www.infomoney.com.br/economia/ipca-inflacao-julho-2026-dados-ibge/
